sexta-feira, 1 de maio de 2009

[Espetáculo] Tomás Kubínek

No seu site oficial, o artista define-se como "lunático certificado e mestre do impossível". A frase assenta-lhe como uma luva.

Ficha técnica:
Artista: Tomás Kubínek
Duração: cerca de 75 minutos
Humor

Tomás Kubínek é um humorista/mímico/acrobata/mágico/músico nascido em Praga em 1965. Aquando da invasão soviética da Checoslováquia em '68, a sua família foi obrigada a fugir e foi graças a isso que o pequeno Tomás teve os primeiros contactos com a arte circense. Emigrando para os Canadá, começou a carreira ainda como uma criança e desde então nunca mais parou.

O espetáculo de Kubínek começa num silencio misterioso e desconhecido, que depressa se deixa invadir de alguns risos abafados mal o artista começa a fazer as primeiras graças com as mãos que desaparecem dentro das mangas do roupão. Depois de tirar da sua boca meia dúzia de ovos, o checo inicia a conversa com o público, uma das mais-valias do espetáculo. Com o seu inglês com algum sotaque, vai soltando algumas palavras num português hilariante enquanto vai conjugando uma história sua absolutamente inacreditável com alguns pequenos números de magia e mímica. A partir daqui, é sempre a melhorar: numa acrobacia incrível, bebe um copo de vinho português (cuja rótulo da garrafa ele insiste em ler até ao fim) enquanto assobia e toca cavaquinho; mexe-se numa absurda ligeireza com a sua Máquina de Pés de Andamento Contínuo (na foto); voa pelo palco, toca música num serrote, transforma-se em galinha. Tudo isto sem esquecer o público, que ocupando menos de metade do Grande Auditório do CAE, era convidado a participar no espetáculo, ora emprestando carteiras para de lá surgirem talheres, ora levando o artista às costas para o palco, e ainda ajudando na pronúncia de algumas palavras em português e, como é claro, rindo e aplaudindo a sua arte e o seu humor deliciosos.

O que torna este espetáculo extraordinário não é o que Tomás Kubínek faz, mas a maneira como o faz, envolvendo todos numa atmosfera intimista e jubilosa. Não teve muitos aplausos de pé, mas recebeu rosas ao sair do palco(trazidas por si próprio, confidenciou). Ainda assim, foi uma noite para recordar.

Classificação: 7/10



5 comentários:

Christian Camilo disse...

caramba, que interessante!
onde vc viu apresentação dele?
muito foda!
seu blog é muito interessante Pedro!
gostei...se tiver um tempo, da uma escutada no som da minha banda, acho que pode gostar
www.instiga.com

Em nome da coerência... disse...

Muito bem escrito, Pedro!
Mas foste ver o espectáculo ou a tua análise baseou-se na Wikipédia, outra vez?

Pedro Zambujo disse...

Acho francamente louvável que tenha sempre em mente a coerência deste blog, e sem lhe responder com maus modos, digo-lhe que nada do que aqui escrevo se baseia na wikipédia, nem sequer a mal-amada crítica às Aves. No máximo, vou à Wikipedia ou a outros sites para pesquisar sobre factos. Neste caso, para saber a biografia do artista, tive que recorrer ao seu site oficial. Espero que compreenda e asseguro-lhe que farei sempre o possível para assegurar a coerência nestas linhas que aqui escrevo.

Em nome da coerência... disse...

Não posso, mesmo que queira, deixar de te admirar. És um rapaz inteligente e por isso auguro-te um futuro brilhante na política... acreditas no que dizes e tentas, sempre que te confrontam com argumentos válidos que contestam a tua perspectiva, camuflar e distorcer o que efectivamente pensas.
Mas para que fique claro que não és um poço de virtudes( és bom, que fique claro, mas não tão bom como pensas que és...)apresento-te mais uma situção da tua inegávél falta de coerência...
Na resposta ao meu post, dizes, e citando-te "No máximo, vou à Wikipedia ou a outros sites para pesquisar sobre factos." Mas na novela das Aves dizes, e voltando a citar-te "Finalmente, alguém aponta a verdadeira fraqueza desta reflexão. Eu não li a peça original, baseei-me num simples resumo da wikipedia que, como sabemos, tem tanta credibilidade como as promessas do nosso PM."
Mas então como ficamos?
Claro que argumentarás, se te deres ao trabalho, que a informação foi recolhidas em várias fontes e que a opinião que assumiste se baseia na interpretação da informação que, entretanto, recolheste. Nada mais falso, pois eu também procurei informações sobre o texto, e em nenhum site, encontrei bases que me permitissem fazer a análise que por ti foi feita na altura. Mas deixemos as Aves em Paz (outra grande peça do Aristófanes... já leste? Se não, recomendo...) Mas isto tudo porquê: porque a minha forma de estar na vida não me permite pactuar com falsidades e com atitudes oportunistas, que ofuscam e moldam a Verdade em prol e alguém ou de alguma coisa...
Que haja coerência... e já agora se nos vais representar no Conselho Geral da Escola, faz-te um favor... lê as informações que te forem enviadas, pois não encontrarás resumos na Wikipédia!

Pedro Zambujo disse...

Com a devida permissão, não vamos deixar as Aves em paz, embora já me tenham dado problemas suficientes. Não é preciso ir a muitos sites para concluir o que conclui: que o argumento foi (ligeiramente ou não) modificado. Penso que nisso deverás concordar comigo. O facto é que o final da peça não é como o que nos foi apresentado naquela noite. Mais: a peça contém uma mensagem muito séria. Tudo isto veio da Wikipédia. Baseei-me nisso? Penso que não, por mim até podiam fazer um número de revista à portuguesa no final desde que a mensagem fosse assimilada pelo público, o que na minha opinião, não aconteceu.
Se há neste blog textos com motivos para serem criticados, o Infame Voo das Aves é um deles. Feito com a cabeça a ferver, mostra-se agora para mim muito mais duro do que deveria ter sido. Mas não generalizemos, qual seria o proveito de opinar sobre coisas que não vi, não li, não ouvi, etc.?
Se tudo isto ainda te parece falso e oportunista, tenho imensa pena, mas não consigo clarificar melhor a situação. Dei-me ao trabalho de argumentar porque, tal como tu, gosto de coerência e só tendo plena de consciência do que o que fiz foi errado, iria aceitar a tua crítica de bom grado. Ainda assim, sendo a tua admiração pelo meu trabalho sarcástica ou não, é recíproca e aprecio francamente a tua demanda pela Verdade, e espero que sempre que vejas neste blog algo que a contrarie, comentes.
Mais uma coisa: embora já saiba que andas na mesma escola que eu, revelares a tua identidade não teria qualquer tipo de prejuízo, penso. Asseguro-te que da minha parte, não lerás ou ouvirás nenhum tipo de insulto. Por uma questão de coerência.