No seu site oficial, o artista define-se como "lunático certificado e mestre do impossível". A frase assenta-lhe como uma luva.Ficha técnica:
Artista: Tomás Kubínek
Duração: cerca de 75 minutos
Humor
Tomás Kubínek é um humorista/mímico/acrobata/mágico/músico nascido em Praga em 1965. Aquando da invasão soviética da Checoslováquia em '68, a sua família foi obrigada a fugir e foi graças a isso que o pequeno Tomás teve os primeiros contactos com a arte circense. Emigrando para os Canadá, começou a carreira ainda como uma criança e desde então nunca mais parou.
O espetáculo de Kubínek começa num silencio misterioso e desconhecido, que depressa se deixa invadir de alguns risos abafados mal o artista começa a fazer as primeiras graças com as mãos que desaparecem dentro das mangas do roupão. Depois de tirar da sua boca meia dúzia de ovos, o checo inicia a conversa com o público, uma das mais-valias do espetáculo. Com o seu inglês com algum sotaque, vai soltando algumas palavras num português hilariante enquanto vai conjugando uma história sua absolutamente inacreditável com alguns pequenos números de magia e mímica. A partir daqui, é sempre a melhorar: numa acrobacia incrível, bebe um copo de vinho português (cuja rótulo da garrafa ele insiste em ler até ao fim) enquanto assobia e toca cavaquinho; mexe-se numa absurda ligeireza com a sua Máquina de Pés de Andamento Contínuo (na foto); voa pelo palco, toca música num serrote, transforma-se em galinha. Tudo isto sem esquecer o público, que ocupando menos de metade do Grande Auditório do CAE, era convidado a participar no espetáculo, ora emprestando carteiras para de lá surgirem talheres, ora levando o artista às costas para o palco, e ainda ajudando na pronúncia de algumas palavras em português e, como é claro, rindo e aplaudindo a sua arte e o seu humor deliciosos.
O que torna este espetáculo extraordinário não é o que Tomás Kubínek faz, mas a maneira como o faz, envolvendo todos numa atmosfera intimista e jubilosa. Não teve muitos aplausos de pé, mas recebeu rosas ao sair do palco(trazidas por si próprio, confidenciou). Ainda assim, foi uma noite para recordar.
Classificação: 7/10


5 comentários:
caramba, que interessante!
onde vc viu apresentação dele?
muito foda!
seu blog é muito interessante Pedro!
gostei...se tiver um tempo, da uma escutada no som da minha banda, acho que pode gostar
www.instiga.com
Muito bem escrito, Pedro!
Mas foste ver o espectáculo ou a tua análise baseou-se na Wikipédia, outra vez?
Acho francamente louvável que tenha sempre em mente a coerência deste blog, e sem lhe responder com maus modos, digo-lhe que nada do que aqui escrevo se baseia na wikipédia, nem sequer a mal-amada crítica às Aves. No máximo, vou à Wikipedia ou a outros sites para pesquisar sobre factos. Neste caso, para saber a biografia do artista, tive que recorrer ao seu site oficial. Espero que compreenda e asseguro-lhe que farei sempre o possível para assegurar a coerência nestas linhas que aqui escrevo.
Não posso, mesmo que queira, deixar de te admirar. És um rapaz inteligente e por isso auguro-te um futuro brilhante na política... acreditas no que dizes e tentas, sempre que te confrontam com argumentos válidos que contestam a tua perspectiva, camuflar e distorcer o que efectivamente pensas.
Mas para que fique claro que não és um poço de virtudes( és bom, que fique claro, mas não tão bom como pensas que és...)apresento-te mais uma situção da tua inegávél falta de coerência...
Na resposta ao meu post, dizes, e citando-te "No máximo, vou à Wikipedia ou a outros sites para pesquisar sobre factos." Mas na novela das Aves dizes, e voltando a citar-te "Finalmente, alguém aponta a verdadeira fraqueza desta reflexão. Eu não li a peça original, baseei-me num simples resumo da wikipedia que, como sabemos, tem tanta credibilidade como as promessas do nosso PM."
Mas então como ficamos?
Claro que argumentarás, se te deres ao trabalho, que a informação foi recolhidas em várias fontes e que a opinião que assumiste se baseia na interpretação da informação que, entretanto, recolheste. Nada mais falso, pois eu também procurei informações sobre o texto, e em nenhum site, encontrei bases que me permitissem fazer a análise que por ti foi feita na altura. Mas deixemos as Aves em Paz (outra grande peça do Aristófanes... já leste? Se não, recomendo...) Mas isto tudo porquê: porque a minha forma de estar na vida não me permite pactuar com falsidades e com atitudes oportunistas, que ofuscam e moldam a Verdade em prol e alguém ou de alguma coisa...
Que haja coerência... e já agora se nos vais representar no Conselho Geral da Escola, faz-te um favor... lê as informações que te forem enviadas, pois não encontrarás resumos na Wikipédia!
Com a devida permissão, não vamos deixar as Aves em paz, embora já me tenham dado problemas suficientes. Não é preciso ir a muitos sites para concluir o que conclui: que o argumento foi (ligeiramente ou não) modificado. Penso que nisso deverás concordar comigo. O facto é que o final da peça não é como o que nos foi apresentado naquela noite. Mais: a peça contém uma mensagem muito séria. Tudo isto veio da Wikipédia. Baseei-me nisso? Penso que não, por mim até podiam fazer um número de revista à portuguesa no final desde que a mensagem fosse assimilada pelo público, o que na minha opinião, não aconteceu.
Se há neste blog textos com motivos para serem criticados, o Infame Voo das Aves é um deles. Feito com a cabeça a ferver, mostra-se agora para mim muito mais duro do que deveria ter sido. Mas não generalizemos, qual seria o proveito de opinar sobre coisas que não vi, não li, não ouvi, etc.?
Se tudo isto ainda te parece falso e oportunista, tenho imensa pena, mas não consigo clarificar melhor a situação. Dei-me ao trabalho de argumentar porque, tal como tu, gosto de coerência e só tendo plena de consciência do que o que fiz foi errado, iria aceitar a tua crítica de bom grado. Ainda assim, sendo a tua admiração pelo meu trabalho sarcástica ou não, é recíproca e aprecio francamente a tua demanda pela Verdade, e espero que sempre que vejas neste blog algo que a contrarie, comentes.
Mais uma coisa: embora já saiba que andas na mesma escola que eu, revelares a tua identidade não teria qualquer tipo de prejuízo, penso. Asseguro-te que da minha parte, não lerás ou ouvirás nenhum tipo de insulto. Por uma questão de coerência.
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