segunda-feira, 8 de junho de 2009

[Exposição] Titanic


Oito anos passaram desde que se inaugurou o novo século e já muitos consideram que o atentado às torres gémeas em Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001 é o desastre do século XXI. Ora, se deus quiser, mais 92 anos hão de vir e não serão de certo pacíficos. No entanto, 97 anos depois, acho que posso afirmar solenemente que o maior desastre do século XX foi o terrível naufrágio do navio Titanic, em que morreram cerca de 1500 pessoas.

O século XX não prima por uma bonança para Humanidade. Duas Guerras Mundiais, outras tantas regionais, desastres nucleares, aéreos e náuticos, genocídios, bombas atómicas...se o Homem conseguiu resisitir a isto, provavelmente conseguirá resistir a tudo o que vier doravante. E embora muitos dos eventos ocorridos no século passado tenham superado o naufrágio do Titanic em número de vítimas, crueldade, e repercussões futuras, penso que nenhum consegue reduzir o valor sentimental que este desastre detém, valor esse tão bem preservado na exposição dedicada ao navio que nem deus conseguia afundar, no primeiro piso da estação do Rossio, em Lisboa.

Repleto de objectos de valor incalculável, o espaço ocupado pela exposição envolve-nos no ambiente que os passageiros sentiram na sua viagem: a entrega de uma réplica do bilhete, a representação fiel das instalações, as histórias de quem embarcou no fatídico paquete e o seu desfecho. Todos estes pormenores, que talvez não valham tanto como o bilhete nos obriga a pagar, inundam-nos o sangue com uma tristeza profunda e sincera e não nos deixam sair da estação com um sorriso nos lábios.

E mais uma conclusão tirada: assim se vê como é sobrevalorizado o filme Titanic, de 1997; haveriam mais de duas mil histórias para contar, provavelmente muito mais trágicas e susceptíveis de fazer trabalhar as glândulas lacrimais de todo o público, e não só de adolescentes femininas. Mas não, duas horas de um filme de três rodam em volta de um casal altamente improvável, produndamente irritante e repugnantemente meloso (tudo na minha opinião), que não transmite nem o cariz catastrófico nem os sintomas de uma claustrofobia cardíaca que esta história pode oferecer.

É uma exposição a ver, não como uma prioridade, mas para ir um pouco mais fundo na história deste navio.

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