Obra-prima do escritor alemão Thomas Mann, "A Morte em Veneza" tornou-se um dos livros mais populares do século XX, apesar do tema um tanto controverso. Esta novela
fala-nos da viagem de um escritor consagrado, de nome Aschenbach, a Veneza e do fascínio que dele se apodera por um jovem polaco. O quinquagenário alemão vê o adolescente pela primeira vez na sala de refeições do hotel em que os dois estão hospedados, e desde logo se deixa enfeitiçar pela sua beleza extraordinária, interessando-se de forma duvidosa por esta personagem. Mas depressa este interesse se torna numa autêntica obsessão, fazendo com que Aschenbach siga Tadzio por todo o lado, esquecendo a sua condição de homem respeitável e ignorando vários indícios de uma iminente tragédia: a sua saúde frágil, o denso nevoeiro vindo de África, o intenso cheiro a desinfectante pelas ruas de Veneza. No final, esta busca louca e cega pela beleza de Tadzio termina tragicamente, da maneira que o título sugere.
fala-nos da viagem de um escritor consagrado, de nome Aschenbach, a Veneza e do fascínio que dele se apodera por um jovem polaco. O quinquagenário alemão vê o adolescente pela primeira vez na sala de refeições do hotel em que os dois estão hospedados, e desde logo se deixa enfeitiçar pela sua beleza extraordinária, interessando-se de forma duvidosa por esta personagem. Mas depressa este interesse se torna numa autêntica obsessão, fazendo com que Aschenbach siga Tadzio por todo o lado, esquecendo a sua condição de homem respeitável e ignorando vários indícios de uma iminente tragédia: a sua saúde frágil, o denso nevoeiro vindo de África, o intenso cheiro a desinfectante pelas ruas de Veneza. No final, esta busca louca e cega pela beleza de Tadzio termina tragicamente, da maneira que o título sugere.Apesar de se mostrar como uma simples história de um amor homossexual, "A Morte em Veneza" é muit
o mais do que a vista alcança. Apesar de alguns aspectos referentes à mitologia, que tornam esta novela muito mais interessante, me terem passado ao lado, algo que se poderá espremer das páginas deste livro é uma atracção não só física (até porque as personagens nunca se falam ou tocam), não só sexual (embora exista libido) mas sim uma atracção por um ideal; mais do que desejar Tadzio, Aschenbach deseja a sua incomensurável beleza, deseja o belo que lhe parece tão inatingível. E por isso este livro é tão apreciado, pelo seu debate filosófico e ético, que muita vezes me escapou entre o vocabulário pesado, embora rico, de Thomas Mann. O escritor, que sabemos agora ter sido homossexual, compõe uma novela um tanto maçuda, de palavras sonolentas e discursos bocejadores, o que me fez demorar mais tempo do que devia neste livro.
o mais do que a vista alcança. Apesar de alguns aspectos referentes à mitologia, que tornam esta novela muito mais interessante, me terem passado ao lado, algo que se poderá espremer das páginas deste livro é uma atracção não só física (até porque as personagens nunca se falam ou tocam), não só sexual (embora exista libido) mas sim uma atracção por um ideal; mais do que desejar Tadzio, Aschenbach deseja a sua incomensurável beleza, deseja o belo que lhe parece tão inatingível. E por isso este livro é tão apreciado, pelo seu debate filosófico e ético, que muita vezes me escapou entre o vocabulário pesado, embora rico, de Thomas Mann. O escritor, que sabemos agora ter sido homossexual, compõe uma novela um tanto maçuda, de palavras sonolentas e discursos bocejadores, o que me fez demorar mais tempo do que devia neste livro. Do livro de 1912, surge o filme em 1971, uma materialização da novela que surge bem mais agradável, apesar de ser ainda bastante pesada. Fora a mudança da profissão de Aschenbach de escritor para compositor, poucas são as mudanças feitas na adaptação ao cinema da obra
-alemã. A música é elemento fortíssimo, a realização é irrepreensível, assim como o elenco: Dick Bogarde é o rosto do desespero e Björn Andrésen, como Tadzio, foi considerado como o mais belo rapaz do mundo. Com menos líbido e mais filosofia, "A Morte em Veneza" é um clássico ora subvalorizado por uns, ora sobrevalorizado por outros. Fiquemo-nos num bom filme, que lida com um tema deveras estranho como se fosse algo tão natural como uma paixão exacerbada do mesmo romantismo de "Amor de Perdição".
-alemã. A música é elemento fortíssimo, a realização é irrepreensível, assim como o elenco: Dick Bogarde é o rosto do desespero e Björn Andrésen, como Tadzio, foi considerado como o mais belo rapaz do mundo. Com menos líbido e mais filosofia, "A Morte em Veneza" é um clássico ora subvalorizado por uns, ora sobrevalorizado por outros. Fiquemo-nos num bom filme, que lida com um tema deveras estranho como se fosse algo tão natural como uma paixão exacerbada do mesmo romantismo de "Amor de Perdição".
1 comentários:
Morte em Veneza.
Não li o livro, e fico muito feliz por ser informada da existência da obra. Tentarei adquiri-la.
Este filme foi algo que mexeu imenso comigo, por vários aspectos.
Sem dúvida que Tadzio é um rapaz muito bonito, capaz de apaixonar qualquer pessoa. Todo o ambiente do filme conseguiu realçar ainda mais esta beleza, sendo que o pormenor da música, como disse, e da luz, incidem em Tadzio como se o quisessem fazer sobressair no meio de todo aquele cenário obscuro.
Fixei Tadzio a correr na praia, com o fato-de-banho peculiar. Os cabelos loiros, a tez sem defeitos aparentes.
Esta relação entre o escritor e Tadzio é, na minha opinião, tudo menos homossexual.
Sugere-nos que Tadzio é algo tão perfeito que não poderia nunca deixar de ser amado independentemente do sexo de quem o admira.
Receio que a procura de um ideal seja algo que não é se verifica.
Este amor platónico sugere na minha interepretação pessoal, uma enorme necessidade de carinho e protecção, de algo que sendo tão perfeito merece todos os cuidados humanos.
Creio que se Aschenbach tivesse chance ele optaria por não tocar ou beijar Tadzio. Penso que ele preferiria viver na eterna doença de o observar loucamente e eternamente, sem nunca no entanto o ter. Esta platonia que tanto o conforta e que acaba por conduzi-lo a uma morte inevitável, de corpo e principalmente de alma.
Nunca teve a sensação de não merecer viver, visto que existe no mundo algo tão, mas tão perfeito que só essa existência o incomoda?
Penso que era assim que o nosso escritor pensava.
Podemos sempre acreditar em explicações mais simples.
Mas creio que este filme, livro, como queira, é tudo menos simple.
Só um desabafo, gosto do post, e fico feliz que tenha igualmente apreciado a obra.
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