domingo, 18 de janeiro de 2009

[Cinema] O Estranho Caso de Benjamin Button


No que parecia ser um ano sem grandiosos filmes, 2008 termina não com uma agradável surpresa, mas com um fantástico filme, que vindo de quem vem, tem uma prevísivel qualidade.

A história é, sem dúvida, a mais valia do filme. Trata da vida de Benjamin Button, um homem que nasce com 80 anos e que com o passar do tempo fica mais jovem. Se para o leitor isto parece bom, desengane-se: o relógio da vida em vez de andar para a frente, anda pra trás. Mas não pára. E ao longo das suas oito décadas de existência, vemos Benjamin a viver uma vida recheada de grandes momentos e de grandes pessoas. E se Forrest Gump dá uma maior importância aos momentos, este filme valoriza mais o lado humano da história.

A realização do filme é magnífica, onde identificamos alguns toques de Tim Burton, ainda que não haja metade do seu nível de excentricidade. Brad Pitt não se sai nada mal embora as glórias sejam entregues a Cate Blanchett, essa que já há muito tempo que não desilude. Tilda Swinton também é merecedora de elogios, uma vez que vai muito bem num papel em que encaixa na perfeição. Palmas também para os efeitos especiais e para a maquilhagem, que se aliam ao talento dos actores e do realizador criando uma simbiose rara nos tempos que correm.

Se o filme peca por alguma coisa, é pela sua longa duração, que poderia passar mas despercebida se a intensidade dramática dos últimos dez minutos de filme fosse distribuida por toda a película. Mas se nos lembrarmos de cenas como o atropelamento em Paris ou a batalha naval, esquecemos o tempo que passa por nós e apreciamos a magia deste filme, que arrisca não só uma adaptação literária, não só ser demasiado complexo para Hollywood, não só ser um dos nomes mais pronunciados na noite dos Óscares, mas que se arrisca principalmente a ser um dos grandes nomes do cinema deste século.

Classificação: 9/10

3 comentários:

Rita disse...

Pedro, primeiro que tudo, concordo com praticamente tudo o que disseste, mas como já mencionei, há um ponto em que discordo totalmente. E esse é a duração.
Dizes tu que o filme peca pela sua longa duração, pois eu acho que esta em nada prejudica o filme, pois, ao contrário de muitos (tais como o Austrália que, no fim, já não podia mais) com tais durações, este prende o espectador do inicio ao fim sem ter pontos mortos.
Penso que isto também se deve à fantástica viagem a que o realizador nos leva. A longa duração deste, faz-te embrenhar profundamente no personagem, e caso fosse mais curto, não te envolverias tanto, não experimentarias tanto. No fundo, durante aquelas três horas tu estás completamente no universo de Benjamin Button, e durante 3 horas vives de uma outra forma.

Gostaria de ver, já agora uma crítica do Austrália. Penso que já sabes a minha opinião, gostaria de saber o que achavas deste.

Ricardo Fernandes disse...

Só uma pequena emenda, este filme é uma adaptação de um livro, portanto não vai sofrer adaptação litarária. ;)

Pedro Zambujo disse...

Não me fiz entender. Quando falo numa adaptação literária, falo na passagem do livro para o filme, como o Fincher fez. E digo que arrisca essa adaptação porque nem sempre corre bem. Exemplos não faltam (Crepúsculo, Eragon). No entanto, penso que este filme arriscou e foi bem sucedido.
Espero já ter desfeito qualquer equívoco.