Quem melhor para inaugurar o espaço musical do Para Acabar de Vez Com a Cultura que os Pink Floyd. Em princípio, dispensariam apresentações, mas para os que só agora ouvem falar deles, os Pink Floyd são a melhor banda de sempre, que se caracteriza ora pelo rock psicadélico ora pelo rock progressivo (consoante a influência de alguns membros num determinado album), composta por David Gilmour, Nick Manson, Roger Waters (que acabou por abandonar a banda), Richard Wright e Syd Barret (já falecidos).
Ultrapassado o período mais psicadélico da banda, sob o jugo de Syd Barret, os Pink Floyd passaram por uma fase mais melódica (melhor exemplo é Atom Heart Mother, um instrumental de 24 minutos). No entanto, em 1973 surge o ponto de equilíbrio entre música e voz, a perfeita união entre a melodia e a letra. Não vale a pena discutir se é rock progressivo, se é música electrónica, se é soul, funk ou hard rock. Senhoras e senhores, é The Dark Side Of The Moon.
Começando com um pequeno resumo do que se vai passar (Speak To Me), avançamos para Breathe, extremamente melancólica e com uma letra com um toque carpe diem. Passando pela frenética On The Run, composta maioritariamente com sintetizadores, chegamos à melhor música do album, na minha opinião. Principiando com mil relógios a despertar, Time vai passando com a bateria de Nick Manson até que Gilmour pronuncia o célebre verso "Ticking away the moments that make up a dull day". A partir daí, só vai melhorando. Um dos seus melhores solos soa tão áspero comparando com o final da música, uma espécie de reprise de Breathe. A letra também contribui para a magnificiência desta música, que nos fala do momento mori ("lembra-te que morrer") e da forma como o tempo passa mais depressa à medida que ficamos mais velhos.
Segue-se The Great Gig In The Sky, com fantásticos teclados de Wright e uma colossal performance vocal de Clare Torry que se torna no melhor instrumento da canção, gritando até não poder mais, acabando por quase nos sussurrar ao ouvido no final. E mal acabamos de ouvir a sua voz, heis que as moedas começam a cair. É Money, possivelmente a música mais conhecida do album. Ainda tão actual, a letra acompanha os solo de saxofone e guitarra, sendo esta provavelmente a música em que todos os membros de distinguem de quase igual modo. O saxofone regressa ainda em Us and Them, a balada do album, muito calma e relaxante, tendo alguma influência do jazz.
Regressando aos teclados electrizantes, Any Coulour You Like (que embora seja boa, é a que menos gosto do album) antecede a sequência Brain Damage-Eclipse. A primeira, provavelmente a mais acessível, faz algumas referências a Syd Barret e vai curiosamente de encontro ao tema da loucura e à tese defendida por Mário Sá Carneiro na sua obra "Loucura...". Eclipse é o final, o verdadeiro orgasmo musical do album, a chave de ouro que termina este grandioso poema.
Segue-se The Great Gig In The Sky, com fantásticos teclados de Wright e uma colossal performance vocal de Clare Torry que se torna no melhor instrumento da canção, gritando até não poder mais, acabando por quase nos sussurrar ao ouvido no final. E mal acabamos de ouvir a sua voz, heis que as moedas começam a cair. É Money, possivelmente a música mais conhecida do album. Ainda tão actual, a letra acompanha os solo de saxofone e guitarra, sendo esta provavelmente a música em que todos os membros de distinguem de quase igual modo. O saxofone regressa ainda em Us and Them, a balada do album, muito calma e relaxante, tendo alguma influência do jazz.
Regressando aos teclados electrizantes, Any Coulour You Like (que embora seja boa, é a que menos gosto do album) antecede a sequência Brain Damage-Eclipse. A primeira, provavelmente a mais acessível, faz algumas referências a Syd Barret e vai curiosamente de encontro ao tema da loucura e à tese defendida por Mário Sá Carneiro na sua obra "Loucura...". Eclipse é o final, o verdadeiro orgasmo musical do album, a chave de ouro que termina este grandioso poema.
E porque é este album uma obra-prima? Serão os solos e a voz de Gilmour? Os teclados de Wright? A batida de Manson? O baixo e as letras de Waters? De facto, tudo isto faz dele um grande album, mas a verdadeira forma de apreciar The Dark Side Of The Moon não é analisando acordes ou técnicas musicais. Basta fechar os olhos, absorver a melodia e captar uma filosofia que não se aprende nos livros da escola
Classificação: 10/10 (o melhor album de sempre, atrevo-me a dizer)

1 comentários:
É impossível não concordar com tudo o que referes. Dentro do álbum a melhor música, a meu ver, deve ser mesmo a Time; só o início já é exuberante de sons e ritmo.
Bem, uma correcção: raramente se aprende Filosofia nos manuais da escola.
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