Para Hitchcock, mestre do crime, o verdadeiro crime é conhecer-se tão pouco deste filme.
Com um argumento de John Steinbeck, o filme conta a história de um grupo de sobreviventes a um bombardeamento naval em plena Segunda Guerra Mundial. Entre britânicos e americanos, encontra-se um alemão, náufrago do submarino que bombardeou o navio dos restantes passageiros. A partir deste ponto, conta-se uma história de sobrevivência dentro de um pequeno bote salva-vidas, onde cabe todo um universo de personagens e sentimentos contraditórios.
Excelentemente realizado por Alfred Hitchcock, este filme é um autêntico desafio às capacidades do cineasta britânico. O realizador consegue a proeza de filmar um conjunto de óptimos planos dento de um pequeno bote (Lifeboat tem, aliás, o recorde de mais pequeno cenário para um filme). Mas o ponto forte do filme é, sem sombra de dúvida, a história. Steinbeck conseguiu construir um conjunto de personagens fantásticas bastante bem interpretadas pelos actores de serviço. No entanto, também o argumento constitui uma fraqueza do filme. Embora conte com bombardeamentos navais, tempestades e homicídios, quase todo o filme se concentra nas palavras trocadas pelos náufragos, o que poderá afastar alguns espectadores e será provavelmente o factor que levou a um esquecimento deste filme.
Menção também para a cameo de Hitchcock, uma das mais geniais que ja vi.
Resumindo e concluindo: sem ser genial, Lifeboat pode ser considerado um grande filme, de um grande realizador, maravilhosamente escrito e muito subvalorizado (apesar de ter sido nomeado para três óscares). Mais do que uma luta pela sobrevivência, Lifeboat é um filme que nos faz reflectir sobre o papel da guerra e dos seus efeitos sobre nós. Propaganda americana ou não, cabe-vos a vocês decidir.
Classificação: 8/10

0 comentários:
Enviar um comentário