terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

[Cinema] O Rapaz do Pijama às Riscas


A crueldade de uma das mais negras épocas da História vista pelos olhos da ingenuidade infantil.

O filme começa em Berlim na Segunda Guerra Mundial, onde uma família composta por um oficial nazi (David Thewlis), sua mulher (Vera Farmiga) e filhos (Asa Butterfield e Amber Beattie) se vê confrontada com uma mudança de habitação para uma zona no campo. Bruno (Butterfield), com os seus inocentes 8 anos, habituado a viver uma vida despreocupada com os seus amigos pelas ruas de Berlim, é consumido pelo gigantesco aborrecimento da solidão e das regras ditadas pelos pais e pelo seu tutor, apoiante ferveroso da causa nazi. Apesar dos avisos da mãe, o espírito explorador de Bruno leva-o a explorar os terrenos circundantes da sua casa e a encontrar uma grande quinta vedada com arame farpado, onde se encontra Shmuel (Jack Scanlon), outro míudo de 8 anos, com quem estabelece uma estranha e perturbadora amizade que o arrancará da ingenuidade em que vive mergulhado.

Todos os filmes que se fizerem sobre o Holocauto nazi nunca serão demais. E este filme, sem explorar cruelmente as realidades dos campos de concentração nem apelar aos sentimentos de misericórdia do espectador, acaba por se tornar um retrato fiel da época. Com as interpretações deliciosas de Asa Butterfield e Jack Scanlon, duas crianças que vivem numa desesperante ilusão, todos os outros actores são como que ofuscados pela luz deste dois jovens talentos. Uma realização comum e uma banda sonora adequada, O Rapaz do Pijama às Riscas prima sobretudo pela forma como a história é contada, ainda que pudesse ser melhor explorada, de lhe forma a dar um tom (ainda) mais dramático. Assim sendo, as emoções ficam quase todas guardadas para o final, imprevisível e de tirar o fôlego, capaz de arrancar uma lágrima ao espectador mais sensível. Mas não são os finais que fazem os filmes e a grando pecado deste Rapaz do Pijama às Riscas é o facto de durante cerca de 80 minutos, não passar de um filme mediano para depois passar bruscamente a um final memorável.

Começando pelo título e acabando nas expressões faciais de Butterfield, este é um filme sobre um dos mais negros períodos da História mundial através da mais pura das inocências e ingenuidades, que acaba por ser o mais verdadeiro dos pontos de vista existentes sobre o tema. Não ficará nos anais da história como um grandioso filme, mas servirá para uma das mais importantes missões da actualidade: que este assunto não caia no esquecimento.

Classificação: 7/10

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