quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

[Cinema] Crepúsculo


Um filme que ainda põe as jovens do mundo inteiro em taquicardia. Será a realização?, o argumento?, as interpretações?, a fotografia? Nada disso, são as hormonas e nada mais.

Baseado no livro de Stephenie Meyer, este filme conta a história de uma rapariga (Kristen Stewart) que se muda da escaldante Phoenix para a cidade mais húmida dos EUA, perto de Washington, graças à itinerante vida da mãe e do seu marido. A viver agora com o pai, Bella (é este o nome da rapariga) ingressa na secundária local, onde é acolhida com relativo entusiasmo. Apesar de fazer amigos, o seu interesse é Edward Cullen (Robert Pattinson), rapaz de uma palidez assustadora, rodeado numa aura misteriosa. Os dois aproximam-se e Bella descobre todo um leque de revelações fantásticas: Edward tem o que se chama de super-poderes, não envelhece, é vampiro e imortal. Mas, ao contrário de todos os vampiros existentes, Edward e a sua família não bebem sangue humano. No entanto, à medida que os dois se tornam mais intímos, o cheiro de Bella torna-se numa tentação mortal para Edward e aqui surge a verdadeira essência do seu romance.

Para começar, vi este filme quase obrigado. Mas tudo bem, vampiros são vampiros, acção é acção, faz bem de vez em quando. Neste caso, não fez nada bem. Comecemos pelo enredo: a história, propriamente dita, daria para fazer um filme de 30 minutos, se tanto. Aliás, olhando para a grossura do livro de Meyer, ficamos sem saber como a autora encheu tantas páginas com aquela históriazinha. Durante quase todo o filme andamos ali à volta de uma vida de adolescentes que em nada contribui para o desenlace. O argumento é ainda cheio de diálogos um tanto patéticos que sujam a imagem dos actores, que por si só já têm uma conotação negativa. Kristen Stewart, que me impressionou pela sua beleza e simplicidade em O Lado Selvagem, desilude muito aqui, tornando-se enfadonha, aborrecida, dona de uma melancolia enervante. Robert Pattison, que já fizera suspirar muita da população adolescente feminina como Cedric em Harry Potter e o Cálice de Fogo, volta a uma personagem completamente vazia, estupidamente superficial, em que cada gesto que faz é como se lhe espetassem um pontapé nos testículos. Por muito complexa que a sua personagem possa ser, é claramente uma interpretação exagerada, muito física e sensual, destinada a atingir as hormonas femininas. A realização, ora apresenta linhas clássicas ora arrisca demasiado em planos mais radicais, não havendo uma consistência do início ao fim do filme. Salva-se a banda sonora, que não sendo genial, contem uns bons momentos. De facto, o melhor momento do filme, para mim, foram os créditos finais, ao som de 15 Step dos Radiohead.

Não se deve esperar muito de um filme para adolescentes. No entanto, este Crepúsculo, Twilight no original (mais uma grande tradução), não entretém minimamente, objectivo de quase todos os filmes do tipo. Promete muitos vampiros e sangue, mas estes só surgem na recta final do filme e muito fracos, diga-se de passagem. Crepúsculo não é mais que um meloso romance entre Bella e Edward, que é atirado como um naco de carne cru a uma multidão ávida por histórias de amor que eclipsem uma realidade que não é assim tão fantástica como em Hollywood.

Classificação: 4/10

1 comentários:

Anónimo disse...

A Mayer encheu aquelas páginas todas do livro pq tem imensa imaginação. Li o livro, depois vi o filme. Desilusão total! o livro contém muito mais acção e não se centra naquele romantismo fateloso que inspirou o filme. No fundo foi uma boa estratégia de markting. e a kirsten não me parece ser a pessoa certa para o papel de bella. e o pattinson já agia mais naturalmente. Enfim é um filme que se vê bem.. mas não é um grande filme. Para conhecer a história é mesmo necessário ler o livro. Mas embora o livro deixe levar as pessoas pela storyline não capta pela qualidade literária de meyer. É uma típica escritora americana q não varia muito no vocabulário.