Qual será o real objectivo do teatro escolar?
Terminou na passada sexta-feira, 27 de Março, o I Encontro Nacional de Teatro Escolar Dr. Joaquim de Carvalho, do qual, com muita pena minha, só tive a oportunidade de assistir a uma representação, representação essa levada a cabo pela minha escola, a Secundária Dr. Joaquim de Carvalho. Não farei apenas uma análise a este espetáculo, mas, como o título indica, tentarei dissertar sobre o papel e os objectivos do teatro escolar nos dias que correm.
Para esta representação, o modesto salão de festas da escola não serviu. Usou-se só a maior sala de espetáculos do concelho, uma das maiores da região centro. Com isto, a expectativa era grande. Tornou-se ainda maior quando se soube que a peça era uma adaptação d'As Aves, um nome que poderá não significar muito sem sabermos que foi uma das grandes peças gregas, do clássico Aristófanes. Mas falando de teatro escolar, a todas as expectativas tem que ser posto um limite. Não se esperam representações que pisquem um olho a um Tony nem números que cheguem aos calcanhares de um La Féria. A questão que se coloca é "afinal, esperamos o quê?".
A história, segundo esta adaptação, é a de dois campónios (haverá nome melhor para definir as personagens?) que cansados da vida que levam, procuram Tereu, um rei que se transformou em pássaro e governa os ares infinitos. Depois de um breve debate entre as aves, também eles ganham asas e penas. Um dos recém-metamorfoseados pássaros, guiado pela sua ambição e sonhos utópicos, decide criar uma cidade nos ares, impronunciável para a minha mente esquecida. A partir daqui, um desfile de personagens chega para ora destruir ora ajudar a construir esta nova cidade. O final torna-se uma gigantesca paródia, que pouco ou nada tem a ver com o do texto original do grego.
Para que desde já não me acusem de só criticar esta peça, saliento alguns pontos fortes, com os quais fiquei positivamente surpreendido. Um deles foi a colossal capacidade do protagonista, Rui Liceia, de conjugar o seu talento de representação com a incrível capacidade de decorar uma gigantesca quantidade de texto sem gaguejar uma única vez, coisa que muitos não conseguem com duas ou três falas. Outro dos aspectos importantes foi a excelente utilização das potencialidades de um espaço como o Grande Auditório do CAE; tanto o espaço, como luzes, som e acústica mostraram francas melhorias face à representação do ano passado, que primou por algum desleixo. O último dos pontos fortes a apontar é incrivelmente dúbio e bipolar: a adaptação do argumento. Feita, suspeito eu, pelo encenador Nuno Café, deambula entre momentos de génio e de perfeito horror. Colocando aspectos da actualidade na peça (a inclusão do computador Magalhães foi genial), esta acaba por se afastar demasiado do seu original, o que lhe custa alguma coerência. É compreensível que, sendo o tema da peça grega demasiado sério para um público maioritariamente jovem, se mude algumas coisas para que quem está na audiência não boceje. Mas o problema está aí: ainda que toda a ideia de Aristófanes tenha sido quase que assassinada com romances homossexuais entre outras extravagâncias, o público continuou a dormitar nas partes"sérias". E com tudo isto, permanece a dúvida se todos os que aplaudiram no pé (ou mesmo os que no palco agradeciam) no final compreenderam a verdadeira essência da história. Ainda assim, é de louvar a existência de um fio condutor, ainda que difuso, face ao experimentalismo um tanto desastroso dos "Crimes Exemplares" do ano passado.
Mas todos estes "pecados", se assim os podemos chamar, são perfeitamente desculpáveis e são o objecto desta reflexão. Estas Aves, apesar de quase arruinarem uma peça clássica, tentaram conciliar divertimento gratuito e lascivo com representações lúcidas e de qualidade. No entanto, conciliar estes dois aspectos não é de todo fácil e para que não se caia nos erros do passado, a discussão do que é realmente o objectivo do teatro escolar é imperativa. Será possível esta conjugação entre teatro humorístico e dramático? Dever-se-á optar por fazer rir o público ou por tocar-lhe no coração com a lucidez mágica de uma história com pés e cabeça?
No final daquela representação, não me levantei para bater palmas. Hoje, continuaria sentado. Mas a minha percepção das alterações feitas ao guião mudaram e, tendo consciência que as minhas classificações valem o que valem e que falamos de teatro escolar, que apesar de ser levado a sério, não tem a importância de grandes produções, a minha avaliação é:
Classificação: 5/10
Entretanto, o debate continua aberto sobre o objectivo do teatro escolar.
Terminou na passada sexta-feira, 27 de Março, o I Encontro Nacional de Teatro Escolar Dr. Joaquim de Carvalho, do qual, com muita pena minha, só tive a oportunidade de assistir a uma representação, representação essa levada a cabo pela minha escola, a Secundária Dr. Joaquim de Carvalho. Não farei apenas uma análise a este espetáculo, mas, como o título indica, tentarei dissertar sobre o papel e os objectivos do teatro escolar nos dias que correm.
Para esta representação, o modesto salão de festas da escola não serviu. Usou-se só a maior sala de espetáculos do concelho, uma das maiores da região centro. Com isto, a expectativa era grande. Tornou-se ainda maior quando se soube que a peça era uma adaptação d'As Aves, um nome que poderá não significar muito sem sabermos que foi uma das grandes peças gregas, do clássico Aristófanes. Mas falando de teatro escolar, a todas as expectativas tem que ser posto um limite. Não se esperam representações que pisquem um olho a um Tony nem números que cheguem aos calcanhares de um La Féria. A questão que se coloca é "afinal, esperamos o quê?".
A história, segundo esta adaptação, é a de dois campónios (haverá nome melhor para definir as personagens?) que cansados da vida que levam, procuram Tereu, um rei que se transformou em pássaro e governa os ares infinitos. Depois de um breve debate entre as aves, também eles ganham asas e penas. Um dos recém-metamorfoseados pássaros, guiado pela sua ambição e sonhos utópicos, decide criar uma cidade nos ares, impronunciável para a minha mente esquecida. A partir daqui, um desfile de personagens chega para ora destruir ora ajudar a construir esta nova cidade. O final torna-se uma gigantesca paródia, que pouco ou nada tem a ver com o do texto original do grego.
Para que desde já não me acusem de só criticar esta peça, saliento alguns pontos fortes, com os quais fiquei positivamente surpreendido. Um deles foi a colossal capacidade do protagonista, Rui Liceia, de conjugar o seu talento de representação com a incrível capacidade de decorar uma gigantesca quantidade de texto sem gaguejar uma única vez, coisa que muitos não conseguem com duas ou três falas. Outro dos aspectos importantes foi a excelente utilização das potencialidades de um espaço como o Grande Auditório do CAE; tanto o espaço, como luzes, som e acústica mostraram francas melhorias face à representação do ano passado, que primou por algum desleixo. O último dos pontos fortes a apontar é incrivelmente dúbio e bipolar: a adaptação do argumento. Feita, suspeito eu, pelo encenador Nuno Café, deambula entre momentos de génio e de perfeito horror. Colocando aspectos da actualidade na peça (a inclusão do computador Magalhães foi genial), esta acaba por se afastar demasiado do seu original, o que lhe custa alguma coerência. É compreensível que, sendo o tema da peça grega demasiado sério para um público maioritariamente jovem, se mude algumas coisas para que quem está na audiência não boceje. Mas o problema está aí: ainda que toda a ideia de Aristófanes tenha sido quase que assassinada com romances homossexuais entre outras extravagâncias, o público continuou a dormitar nas partes"sérias". E com tudo isto, permanece a dúvida se todos os que aplaudiram no pé (ou mesmo os que no palco agradeciam) no final compreenderam a verdadeira essência da história. Ainda assim, é de louvar a existência de um fio condutor, ainda que difuso, face ao experimentalismo um tanto desastroso dos "Crimes Exemplares" do ano passado.
Mas todos estes "pecados", se assim os podemos chamar, são perfeitamente desculpáveis e são o objecto desta reflexão. Estas Aves, apesar de quase arruinarem uma peça clássica, tentaram conciliar divertimento gratuito e lascivo com representações lúcidas e de qualidade. No entanto, conciliar estes dois aspectos não é de todo fácil e para que não se caia nos erros do passado, a discussão do que é realmente o objectivo do teatro escolar é imperativa. Será possível esta conjugação entre teatro humorístico e dramático? Dever-se-á optar por fazer rir o público ou por tocar-lhe no coração com a lucidez mágica de uma história com pés e cabeça?
No final daquela representação, não me levantei para bater palmas. Hoje, continuaria sentado. Mas a minha percepção das alterações feitas ao guião mudaram e, tendo consciência que as minhas classificações valem o que valem e que falamos de teatro escolar, que apesar de ser levado a sério, não tem a importância de grandes produções, a minha avaliação é:
Classificação: 5/10
Entretanto, o debate continua aberto sobre o objectivo do teatro escolar.

25 comentários:
levaste demasiado a peito a parte dos homosexuais
Ass: Um admirador teu
Caro Anónimo
Antes de tudo, dormirei feliz esta noite ao saber que tenho uma admirador. Não sabe o quão feliz me fez.
Agora, o que interessa: não acho que tenha levado demasiado a peito a parte dos homossexuais, até porque só fiz referência a essa parte uma única vez nesta imensidão de palavras que foi este post. Podia até ter passado ao lado desse episódio, mas sendo agora um pouco spoiler, o romance gay do protagonista e de Hercules é a evidência mais clara que este argumento foi modificado para fazer rir. Não sei se esteve naquela noite no auditório, mas essa foi uma das partes em que o riso do público foi mais audível. Eu próprio me ri. O problema é que no final fica a dúvida sobre qual foi o objectivo daquela peça.
Com os melhores cumprimentos,
Pedro Zambujo, um admirado seu
Ao menos tentam e fazem alguma coisa, ainda nao vi nada de jeito vindo de ti, escondes-te nos blogues... Não passas de linguagem binária a deambular pela internet quase sem ser notada. Não és ninguem para postar coisitas destas. Não és digno de escrever seja o que for sobre qualquer coisa. Escreves muito bem, mas depois 'escangálhas-te' no conteúdo.
E são da tua escola, devias apoiar, independentemente da qualidade ou das tuas relações com alguns dos participantes. Dizer mal só por dizer não conta
Entretenimento, eles tem noçao de que o publico que foi ver a peça ainda não está bem preparado para uma peça mais séria e mais fiel ao texto original, mas mesmo assim o texto nao foi muito alterado e se o menino for ler a peça, verá indicios do amor homosexual. Se não leu o original cale-se e leia, depois opine a vontade. Eles tentaram ver a peça dum angulo mais 'pop' e amigavel ao publico em geral. Sugiro que tente fazer a sua propria adaptaçao do texto e que o apresente ao mesmo publico para ver as reacçoes.
Bem me parecia que este tipo de comentários já tardava.
Caro Anónimo,
antes de mais, os argumentos feitos à minha pessoa eram perfeitamente escusados. Não porque me tenha em grande conta, mas porque não contribuem absolutamente em nada para esta discussão, que poderia tornar-se interessante, não fossem os argumentos cegos contra a minha aparente inutilidade para dar opiniões sobre o que quer que seja.
Mais importante agora; nunca menosprezei o trabalho do grupo de teatro da Joaquim de Carvalho. No ano passado fizeram despertar curiosidade entre os alunos e o teatro escolar adquiriu uma nova dimensão graças a eles. E a prova do meu respeito é que fui lá, não porque me obrigaram mas porque quis. Outro aspecto: apoiar incondicionalmente alguma coisa não contribui em nada para o crescimento da mesma. Nunca irei dizer que gosto ou que não gosto só porque são da minha escola ou não. Relações com participantes? Parece-me que é uma admirador pouco informado. A única relação que tenho com uma participante é a de uma já longa amizade e que não influenciou em nada a minha crítica.
Por fim, e antes de me "escangalhar", peço-lhe que deixe de parte fanatismos e ódios de estimação e tente dialogar, sem insultos, sobre o tema proposto, o objectivo do teatro escolar nos nossos dias.
Ainda com alguns cumprimentos,
Pedro Zambujo
Bem, este blog hoje bate records.
Finalmente, alguém aponta a verdadeira fraqueza desta reflexão. Eu não li a peça original, baseei-me num simples resumo da wikipedia que, como sabemos, tem tanta credibilidade como as promessas do nosso PM. Não li e portanto não sei se há indícios de amor homossexual ou não. Mas o que o anónimo ou anónimos não compreendem é que de forma alguma condeno essa adaptação do argumento. Como disse, foi genial em certos momentos e talvez tenha exagerado quando falei em horror. O que saliento é a dificuldade em conciliar um tema sério com o espírito do público e para ultrapassar essa barreira, o grupo de teatro trabalhou muito bem.
Irei ler a peça quando o tempo o permitir. Agora escrever uma adaptação? De todo, nem tenho conhecimentos para tal nem a minha escrita binária o permitiria.
Cumprimentos,
Pedro Zambujo
anónimo, é só uma pessoa a escrever. Uma pessoa que por acaso aplaudiu de pé naquela noite, pelo esforço e pela dedicação de todo o grupo de teatro.
Achei por bem deixar aqui escrito que aqui estive e que li isto tudo e que alguns comentários de "anónimos" que toda a gente sabe quem são só serviram pa eu me partir a rir :P AHAH
Pedro Zambujo ao poder :D (Tomara muito anónimo escrever da maneira binária como tu escreves xD)
E digo mais!
Na minha visão das coisas, o teatro escolar serve para alimentar fantasias de jovens que sonham um dia representar profissionalmente e que pensam que a entrada deles para o mundo do espectáculo é o teatro escolar.
Existem muitos talentos no teatro escolar, até mesmo dentro do grupo da Joaquim de Carvalho, mas não esperem que no publico esteja alguém que possa pegar em vocês e tornar-vos em actores.
Mais fácil é fazer castings pos morangos do que ser visto por um produtor de teatro, numa peça de teatro escolar.
uau , a sua avaliacao foi muito dura.
Como voce disse no inicio , nao estava a espera de grande coisa.
Mas essa avaliacao sua fez me pensar que estava a avaliar uma peca de teatro dirigida por luis de camoes , e actores de hollywood.
Eu fiz uma vez parte desse clube de teatro , tive de parar porque fui viver para a Islandia , um pais no que chega ás artes é MUITO bom.
A minha carreira de teatro aqui até corre bem.
E eu nao tenho duvida que o Nuno Cafe ao fazer uma coisa diferente iria ter alguma avaliacoes negativas.
Agora , os actores que estao nao peca de teatro nao sao "Morangos" mas sim adolescentes com bom interesse nas Artes.
Pense melhor em quem voce poderá magoar na proxima vez que escrever as suas criticas.
Porque uma coisa eu sei.Os meus amigos do Teatro estao magoados.
Sinceramente:
Vilhelm Neto
puto silva, diz-me lá quem é que está a comentar então. E espero que te tenhas divertido tanto comigo quanto eu me diverti a gozar com as tuas musicas. Nem nos morangos te safas.
Agora vai lá escrever uma letra num 'beat' fraco a dizer que te tas a cagar para mim...
Ah e o binário é o codigo que os computadores usam para processar informaçao, com isso queria dizer que ele não passa dos textos da net. Claramente não percebeste o que eu queria dizer com isso.
Criticas há muitas e com a maior parte delas apenas demonstram a inveja de pessoas com as quais têm divergências pessoais, e essas mesmas participarem em algo que foi reconhecido pelo menos a nível do concelho, enquanto outros se refugiam em blogs que poucos lêem e música que poucos ouvem.
Sou o primeiro a dizer que é um facto que a peça, chegada ao fim, não nos apresentou uma história coerente, especialmente no desfecho. Contudo, considero bastante óbvio que o grande objectivo do teatro é o entretenimento, e desde que me lembro que isso curiosamente está um pouco relacionado com o verbo 'entreter' que é também sinónimo do igualmente verbo 'divertir'. Quanto à intensa reflexão sobre o objectivo do teatro escolar tenho a opinar que, numa escola, um clube de teatro é uma actividade como outra qualquer dentro dessa mesma escola, entra lá quem gosta de teatro e fica lá quem se sente bem nele. Existe algo chamado parlamento dos jovens ou algo de parecido, eu não questiono o seu objectivo porque é bastante claro que quem participa pretende falar mais alto e chegar mais alto com os seus pontos de vista, mas a verdade é que já vi mais resultados numa plantação de árvores por miúdos de primária. E por falar neles, qual é o objectivo de cantar as janeiras? Pela terceira vez que eu fui, e ainda cá andava o Santana, tive a oportunidade de lhe pedir umas balizas para a escola e elas até apareceram, e o objectivo era cumprir tradição, tal como o objectivo do teatro é entreter, ainda para mais um teatro escolar, que visa ajudar quem o integra a não só poder vir a seguir o teatro como carreira de futuro (porque a experiência é um factor) mas também a ganhar um maior à vontade que tanto jeito dá em tanta coisa em toda a vida. Qual é o objectivo de um blog de críticas? Não pode cada um abstrair ideias por si próprio? Preciso mesmo da opinião de alguém para construir a minha? É tão relativa toda esta treta dos objectivos, deixemos o Paulo Bento preocupar-se com esse sector. O que realmente interessa é que no fim da peça até idosos que se depararam com fatos de banho do borat conseguiram içar as varizes e aplaudir de pé algo que lhes proporcionou um momento no mínimo agradável. E deixemos também as pseudo-intelectualidades para os indivíduos com obra feita. A arrogância cheira mal.
Boas tardes. é de louvar existirem pessoas que continuam a fazer as escolhas erradas na vida. decidem-se sobrepor-se àquilo que realmente são, lixo. A peça foi algo que nos deu gozo a fazer, prazer, demonstra-mos para além de coragem espirito de grupo e amizade, coisas que talvez nunca conseguisses sequer sentir ou superar. Nós temos orgulho em nós mesmos, demos a cara à frente de centenas de pessoas, demos mais do que isso, demos dedicação, e quem és tu,um simples idiota, para nos criticar? E quanto ao professor Nuno Café, não tens nada a dizer, ele dedica-se ao teatro com tudo o que tem, tu dedicaste a lixar os outros, mas melhor que isso devias dedicar-te à pesca. Lamento estar a descer a um nivel deveras infantil, mas gosto de jogar nas mesmas cartas. E de facto, houveram uns grandes pormenores que nos escaparam: por exemplo, tu nao teres entrado na peça. Já viste? "As Aves", porque nao um frango como protagonista? Não passas de um frustado qualquer, com essa cara que parece um campo de batalha nazi, assinalado com essas bolhas. Cresce um pouco, quando souberes o que é o teatro, vem falar connosco, pomos base de borla antes de entrar em palco. E se julgas que me vais acusar de estar a ser infantil, podes esquecer isso, sei avaliar a minha propria personalidade e nao me limito a avaliar a dos outros.
O rambo do olimpo, Hercules.
O clima hostil que se respira neste blog obriga-me a um pequeno comentário. Não quero entrar numa guerra que não é minha, no entanto não consigo ignorar a falta de condescendência de ambas as partes.
Apesar de não ter assistido à peça, as pessoas de um modo geral não poupam elogios ao desempenho dos colegas em palco. Considero portanto a crítica severa e longe de estar livre de rancores pessoais.
Aproveito para dizer, que toda e qualquer crítica deve ser imparcial e esta peca precisamente por analizar com um rigor excessivo e pouco conveniente o que subiu a palco na sexta feira passada. Louvo no entanto a eloquência da linguagem e a coerência do texto, injuriosamente chamado 'código binário'.
Cumprimentos
Inês Cabete
A peça foi na sexta e eu estive para não fazer crítica nenhuma ao teatro. Fiz e revelou-se um gigantesco erro, porque além de ter sido mal-interpretada, é motivo de uma gigantesca campanha contra a minha pessoa. Em momento algum critiquei a dedicação do grupo de teatro e o seu trabalho. Já referi mais que uma vez que apenas discordei da adaptação de um texto tão distante, seja a nível histórico como temático.
Mais: nunca disse que faria melhor, nunca me manifestei superior a ninguém. O que este grupo fez este ano, vem confirmar o que já se advinhava no ano passado, uma nova dimensão do teatro escolar, que merece o reconhecimento tanto da escola como do concelho, como já foi dito.
Os objectivos deste blog estão disponíveis no primeiro post feito. A partir daí, não obrigo ninguém a ler nem a concordar.
Mais uma vez, a todo o grupo pela crítica feita, em especial a quem se sentiu prejudicado de alguma forma, as minhas desculpas.
Pedro,
Tomei conhecimento do seu blog apenas recentemente e folgo ao constatar que a impressão que tinha sua não saiu gorada.
Devo confessar que comentar não é meu hábito, mas movida pela «polémica» que a entrada gerou, aqui estou.
Ao ler esta sua crítica, não contive o sorriso - admirei o carácter lacinante e as críticas muito oportunas e coerentes que apresentou.
Estou consigo. De facto, o teatro escolar aproveitado desta maneira pouco contribui para o fomento das Artes e da Cultura, alimentando, ao invés, as produções de digestão fácil, a geração da pipoca e do hiper comercial.
Espero que continue,
CBF
Ao passar por aqui, não posso deixar de escrever umas linhas. Acredito na liberdade de expressão e defendo-a, mas não posso aceitar a ofensa gratuita, e condeno-a. Mas também considero que a simples crítica não se deve sobrepor a quaisquer sentimentos que possam existir relativamente a alguém ou alguma coisa. Acredito, piamente, no poder da crítica e nas consequências a que a mesma pode conduzir. Mas sejamos realistas. Ninguém aqui falou da problemática do Teatro Escolar... talvez porque não sabem, porque não querem ou porque essa não era a ideia inicial do autor. O autor, não me merece qualquer tipo de credibilidade, neste assunto, repito, neste assunto, porque baseia a sua crítica à peça na adaptação do texto... que afirma não ter lido. Ora como se critica a adaptação de um texto que não se conhece?
Sei que se considera uma pessoa bastante inteligente, mas permita-me que diga que não revelou grande inteligência neste texto, pois opta por dissecar algo que não conhece, que não compreende e que não domina, e isso meu caro, não é crítica substanciada, é maldade.
Toda a sua análise é, no mínimo questionável. Todos os seus pressupostos estão errados e demonstra um total e completo desconhecimento do texto, do teatro clássico e da cultura clássica. Mas não é o único...
Aconselho-lhe a leitura atenta do texto original, onde, certamente encontrará, todas as indicações para a interpretação que foi feita do texto. A adaptação, pelo que a minha modesta pessoa pôde perceber através da leitura do texto, passou apenas por encortar o mesmo, mantendo a essência do texto. Pelo que estudei sobre este assunto, julgo que se o meu amigo tem que criticar alguém, deve criticar o Aristófanes, mas penso que ele não lhe dará muita conversa nem o protagonismo que pretende.
Os meus parabéns ao Clube de Teatro da Escola Dr. Joaquim de Carvalho por assumir este projecto, que não é fácil para nenhum grupo, seja ele profissional ou amador.E ainda por cima com a qualidade demonstrada...
Quanto à questão do teatro escolar, acho que passa exactamente por isto, fazer o que se quer, como se quer, independentemente da opinião de pseudo-intelectuais que consideram o Teatro como uma Arte apenas ao alcance de uns quantos iluminados. Mas o Teatro, é a arte do povo, é assim foi para Aristófanes, para Shakespeare, para Mozart e para muitos outros génios... Sou licenciado em Teatro, actor profissional e Mestre em Literatura Clássica e sei do que estou a falar. Poderão vocês dizer o mesmo?
Derivado da polémica que algumas pessoas conseguiram encontrar nos meus comentários (Nem sei eu como nem onde) vou voltar a explicar a minha ideia de forma mais clara:
Para mim, e isto ninguém me pode criticar por o achar porque simplesmente é uma coisa subjectiva, o teatro escolar não tem utilidade para além de ser um bom passatempo.
O teatro escolar simplesmente é um passatempo tão bom como jogar ás cartas, porque o que as pessoas que o fazem procuram uma coisa, diversão.
A minha critica, ao contrário do que quem me criticou pensa, não é dirigida a ninguém em especial, nem é por uma questão de rancor (que nem existe) nem nada. É uma critica a pessoas que pensam que o teatro escolar vai ser a porta deles para o mundo do espectáculo, e vocês sabem que há muita pessoa que pensa assim (Isto não quer dizer que seja no vosso grupo!).
Volto a dizer que não estava a criticar:
-Nem a peça (Porque nem a vi)
-Nem o grupo da escola 2 (Porque até acho que existem muitas pessoas com talento)
-Nem pessoas em especifico (Porque simplesmente ninguém ganha nada com isso)
Eu disse a minha opinião e usei os meus argumentos para a justificar.
A vossa maneira de me tentar deitar abaixo é a dizer que não sou um bom cantor e que a minha musica não serve para nada. E em que é que isso refuta a minha opinião sobre teatro escolar? Não compreendo.
Meus caros, eu encaro a minha musica como vocês encaram o vosso teatro escolar, como um passatempo, e eu tenho perfeita noção de que não tenho grande valor a nível musical nem grande futuro nessa área, mas não é isso que me faz parar, porque se é uma coisa que gosto de fazer, porque é que hei de deixar de fazer só porque os outros acham que não tenho jeito?
Agora para acabar e fora hostilidades, já algumas pessoas me vieram dizer que ninguém ouve as minhas musicas. A essas pessoas só digo isto: Já ouviram as minhas músicas mais pessoas do que qualquer auditório cheio que tu tenhas numa peça de teatro escolar, mas isto, sem hostilidade, claro.
Cumprimentos.
PS: Abram os olhos ao ler comentários seja de quem for porque por vezes as coisas têm mais conteúdo e são mais profundas do que parecem =)
O senhor anónimo que acha que o teatro escolar não fomenta o espírito artístico, andou na escola com as pessoas erradas.
Acredite que há quem se esforce para não cair no habitual, no normal, no comercial. Ando no Teatro Escolar porque gosto de representar, de fazer rir, chorar, de amedrontar, de brincar com as pessoas, de as ter na minha mãe.
Não me interessa se essas pessoas gostam ou não, desde que eu goste do que estou a fazer.
Cordialmente,
João Biscaia.
Puto Silva, uma amiga minha, que andou comigo no Teatro Escolar, durante 3 anos, sendo eu 4 anos mais novo que ela, é protagonista de peças do La Féria.
Enganas-te, portanto, quando dizes que o Teatro escolar não é uma rampa de lançamento para os grandes palcos.
Caro Pedro!
Há um ditado popular que diz "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho".
A sua crítica à peça é legítima, mas pouco coerente, porque, como afirmou, não leu o texto original. Podia basear-se em questões estéticas, ou artísticas para criticar a representação dos seus colegas, mas não, baseia toda a sua prosaica escrita na adaptação do texto original. Para não me alongar mais, faço minhas as suas palavras, e espero que com elas, passe a ter um pouco mais de consciência de que a crítica gratuita e pessoal é extremamente desprestigiante.
"Por alguma razão, a escrita de José Saramago assusta muito boa gente por este Portugal. Que se leia antes de falar..."
Então não se limite a escrever as suas ideias, ponha-as em prática...
Eu disse que não ia falar mais disto, mas OK...
Antes de mais, já reconheci que perdi muita (quase toda) credibilidade ao fazer a crítica sem ler e a sua chamada de atenção à falta de coerência faria todo o sentido não fosse um pequeno pormenor, que poderá ser ignorado e desvalorizado: no review d'A Caverna, referia-me ao tipo de escrita do autor, algo que muita gente não conhece e que apenas diz que não tem pontos finais, tornando as suas frases um autêntico desafio às capacidades respiratórios do ser humano. Bem, não sei se já leu algum livro de Saramago (se não, aconselho vivamente), mas não essas afirmações não correspondem à realidade. Já na review d'As Aves, não critiquei a estrutura do texto, apenas critiquei a forma como foi modificada e a mensagem que deixou passar, um tanto diferente, na minha opinião, da original. E para saber isso, não precisei de ler a peça, bastou-me ir pesquisar na net.
Tal não impede que a minha crítica continue a ser descredibilizada e ridicularizada, mas é só para referir que são aspectos diferentes criticados e portanto, não devem ser comparados.
E por falar em crítica desprestigiante, acredite que não foi a minha intenção e não me daria a tanto trabalho para tal..
Desculpa lá Pedro, mas estes comentários são um verdadeiro "Pão de LOL"!
Nunca apagues isto que ainda te hás-de rir muito no futuro.
Ele há com cada um...
Pérolas:
"E são da tua escola, devias apoiar, independentemente da qualidade ou das tuas relações com alguns dos participantes."
"Mas essa avaliacao sua fez me pensar que estava a avaliar uma peca de teatro dirigida por luis de camoes , e actores de hollywood."
"A minha carreira de teatro aqui até corre bem."
"...música que poucos ouvem."
" Existe algo chamado parlamento dos jovens ou algo de parecido, eu não questiono o seu objectivo porque é bastante claro que quem participa pretende falar mais alto e chegar mais alto com os seus pontos de vista, mas a verdade é que já vi mais resultados numa plantação de árvores por miúdos de primária."
"àquilo que realmente são, lixo." (todos o post do HERCULES é uma pérola que dá um gozo enorme e uma grande vontade de rir. Quer pelo non-sense quer pela falta de civismo ridiculamente patética)
" gosto de representar, de fazer rir, chorar, de amedrontar, de brincar com as pessoas, de as ter na minha mãe."
I Didn't Start The Flame War!
--
Ricardo Fernandes
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