sexta-feira, 25 de setembro de 2009

The Resistance - é inútil resistir

Já lá vão dez anos depois de Showbiz, albúm inaugural da gloriosa carreira dos Muse. E quem diria que a banda acusada de "copiar" os Radiohead seria capaz de lançar algo tão...diferente. A verdade é que os Muse se têm reinventado em todos os albúms, com uma tendência para se amenizarem a cada registo que gravam. As diferenças entre a pura e dura Plug In Baby de 2001 e Supermassive Black Hole de 2006 (música que ganhou outra fama depois da presença no filme teenager Crepúsculo) são gritantes. Mas quando o mundo esperava com algum medo pelo novo elemento da discografia da banda, os Muse surpreendem. E não se pode dizer que seja pela negativa.


A faixa inicial, e também primeiro single, não nos traz nada de novo. Uprising transpira a obsessão de Bellamy por conspirações mundiais num embrulho demasiado igual ao hino de Black Holes and Revelations, Knights Of Cydonia. Segue-se Resistance que já se encontra mais no espírito do disco: o piano inicial é delicioso e os coros, poderosíssimos. Aparentemente, é a história de amor do livro 1984 que se ouve na voz de Matt Bellamy, mas quer se perceba, quer não, algumas das frases da letra já habitam nicknames em várias redes sociais. Undisclosed Desires pode muito bem ser o maior sucesso radiofónico deste albúm, se for bem utilizada: de uma sonoridade mais pop com umas cordas a dar uma ajuda, é bem capaz de ser a música mais leve que os Muse já compuseram. Nem a letra (romântica, e ponto final) nem a voz de Bellamy, fragmentada e grave, dão um tom épico à canção; mas a sua simplicidade é tão cativante que não passa despercebida no conjunto de faixas de The Resistance.

E da simplicidade passamos à complexidade excessiva de United States Of Eurasia. A melhor canção do albúm, a Bohemian Rhaposdy do século XXI. É impossível não encontrar semelhanças com os Queen: com coros a lembrarem os êxitos dos anos 70 de Freddie Mercury e companhia, uma guitarra que nos traz aos ouvidos os singulares solos de Brian May, um piano mais que presente...esta música é o rosto do novo albúm, uma rapsódia sobre uma inacreditável ocupação americana dos territórios de Portugal ao Japão. A ela segue-se Chopin. Collateral Damage é uma adaptação de um dos mais famosos Nocturnos do compositor francês, que termina com os sons de um bombardeamento aéreo.

Guiding Light anima um pouco o ambiente. Com o melhor solo de guitarra de todo o albúm (mais uma vez a lembrar o dono da Red Special), surge langorosa e suplicante mas não demasiado negra. E onde anda o rock? Poderoso como em Hysteria ou Map Of The Problematique , só surge na sexta faixa, com Unnatural Selection, que peca pela longa duração (quase sete minutos) e por ser um tanto repetitiva. Para quem não espera surpresas deste novo albúm, basta ouvir esta canção e fica satisfeito. Com uma letra mais virada para a religião, não abandona a linha condutora de The Resistance, apesar de surgir mais violenta. Também com um solo para recordar. Na passagem de Unnatural Selection para MK Ultra, perde-se muito pouca energia. Mais uma canção de revolta, desta vez a roubar o nome a um projecto de controlo mental criado pela CIA. Um tanto efémera, mas consegue criar um bom ambiente para o que se segue: a divertida e sensual I Belong To You/Mon Coeur S'ouvre à ta Voix. Com uma letra um tanto obscura, a banda brinca com o piano para dar uma roupagem muito leve à penúltima canção do albúm. Confirmada para entrar no próximo filme da saga Crepúsculo (antes esta que outra qualquer), ainda vai buscar uma ária da ópera Sansão e Dalila, na qual Matt Bellamy canta num perfeito francês.

Se o albúm aqui terminasse, não ficaria mais do que uma desilusão, um vazio nas ânsias dos fãs a quem foi prometido algo de grandioso. Felizmente, há ainda 13 minutos de música e que conseguem elevar The Resistance a um nível superior. Exogenesis divide-se em 3 partes (não fosse o tamanho da música assustar os ouvintes) que descrevem o abandono do nosso planeta numa melodia comovente. O piano soa belíssimo, a voz de Bellamy ecoa divinalmente e a orquestra faz um incrível trabalho. Um final perfeito.

Se os Muse são os novos Queen, então The Resistance é a jóia da coroa. Provavelmente é o melhor disco da banda até ao momento pois se revela completo e sem grandes oscilações de qualidade. Com uma conceptualidade um pouco difusa, os Muse podem ter prometido mais do que puderam cumprir, dado o hype gerado à volta deste novo albúm. Dos haters, eles não se livram e dificilmente conseguirão conquistar novos públicos, mas The Resistance é motivo mais do que suficiente para garantir presença no Pavilhão Atlântico no dia 29 de Novembro.

3 comentários:

Ana Luísa Pereira disse...

De todos os nomes que li aí, a United States of Eurasia foi o que mais me cativou... Eurasia era um dos estados em 1984, não era? Ah, e se a Resistance também for alusão ao livro, pode ser que eu engrace com ela.
No entanto, verdade seja dita, Muse diz-me muito pouco, há apenas uma ou duas músicas que consigo ouvir até ao fim, mais de duas vezes seguidas, como é o caso da Time is Running Out.

Portanto, quando te apanhar pelo msn, vou pedinchar umas musiquinhas, nem que seja para fazer as pazes com Muse :)

Anónimo disse...

Ah, o quanto eu discordo deste post ;)

Longe vão os tempos de absolution e origin of symmetry, esses sim, as verdadeiras pérolas dos muse.

Susana S' disse...

E eu adoro Muse :)