sexta-feira, 26 de junho de 2009

Smooth Criminal


Morreu Michael Jackson.

Num momento de luto para toda a música, qualquer palavra será demais. Ouçamos então o rei, num dos melhores momentos da sua carreira, IMO.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

'Tá a gravar!

A experiência é suficiente para nos ensinar que um filme de terror à noite equivale quase sempre a uma noite de insónias e a um medo irracional até do piaçaba da casa-de-banho. Mas é preciso reconhecer que admiramos muito mais a grandiosidade de um filme como Psycho de Alfred Hitchcock numa noite tempestuosa do que numa tarde soalheira. Por isso, ontem por essa meia noite, viu-se "[REC]", um filme espanhol considerado por muitos como um dos melhores exemplares do cinema de terror moderno.
O filme segue a linha de "Nome de Código: Cloverfield", ou seja, o que o espectador vê são as imagens gravadas por uma câmara de televisão, sem grandes planos nem montagens bonitas. E porquê assim? Porque a história é a de uma reporter de uma televisão local que tem como missão acompanhar uma noite dos bombeiros de Barcelona. Quando estes recebem uma chamada que pede ajuda a uma pessoa que se encontra fechada em casa, a equipa de televisão vai com dois dos bombeiros, mas as coisas não são tão simples como parecem. Depois de uma velhinha maníaca desatar à dentada a um polícia e de um bombeiro cair misteriosamente do primeiro andar onde vive a senhora, o prédio é isolado pelas autoridades sanitárias e a partir daí, desenrola-se uma carnificina frenética e enigmática, que culmina em cenas aterradoras de camera nocturna.
Tal como em "Cloverfield", o medo deste filme torna-se muito mais real graças à maneira como é realizado. Apesar de alguns clichés, é um filme incrível que, em confidência vos digo, me fez levantar o rabo do sofá mais do que uma vez.

Hollywood Beginning


O videoclube de um serviço de televisão cujo nome é composto pelas letras M, E e O (é melhor assim, não me vão acusar de publicidade...) está a crescer significativamente não só em quantidade mas também em qualidade. Já com uma secção de Filmes de Culto e outra dedicada a Alfred Hitchcock, foi com muita surpresa que encontrei ontem "What's Up, Tiger Lily?", o primeiro filme realizado pelo mestre Woody Allen. Realizado...é como quem diz. Este filme não é mais do que uma edição de cenas de um wannabe japonês de James Bond dobrado pelo argumento de Woody Allen, que se transforma numa comédia agradável. As cenas de acção japonesas a roçar o ridículo também ajudam ao cómico do filme, mas é sem dúvida o humor de Allen (mais presente na sua literatura do que nos seus filmes) que dá valor a este filme. Algumas citações:

High Macha Of Rashpur: They kill, they maim and they call information for numbers they could easily look up in the book.

High Macha Of Rashpur: Good afternoon. I am the Grand Exalted High Macha of Raspur, a nonexistent but real-sounding country.
Phil Moscowitz: Uh-huh.
High Macha Of Rashpur: Yes. We're on a waiting list. As soon as there's an opening on the map, we're next.

High Macha Of Rashpur: [displaying a printed floor plan] This is Shepherd Wong's home.
Phil Moscowitz: He lives in that piece of paper?

High Macha Of Rashpur: It is written, "he who makes the best egg salad shall rule over heaven and earth." Don't ask me why egg salad - I've got enough aggravation.

Lá mais para o meio começa a ficar um pouco maçador, mas a pouca experiência desculpa. E mais do que um motivo de gargalhadas, devemos olhar para este filme como o início de algo maravilhoso...

domingo, 21 de junho de 2009

L'heure d'été

Começa hoje oficialmente a estação estival, o verão(com V minúsculo, como manda o novo acordo). Não me agrada tanto como agrada a cerca de 95% da população, que anda numa euforia histérica para poder ir para a praia. No entanto, esta estação inspirou algumas das melhores peças da música: não falando dos inquestionáveis clássicos "Eu Gosto É Do Verão" dos Fúria do Açúcar, do "Baile de Verão", de José Malhoa e do mítico "Azar na Praia" de Nel Monteiro, os crepúsculos tardios, as horas tórridas e a agitação nocturna do Verão foram a inspiração de grandiosos artistas, de Vivaldi a Animal Collective, passando por Janis Joplin e Pink Floyd.

O "Verão" de Vivaldi, presente nas suas Quatro Estações, não será a melhor obra a reflectir o frenetismo da estação. Os violinos barrocos invocam com maior convicção a melancolia dos dias de chuva quentes do que as tardes longas e solarengas de Julho e Agosto. Parte da música foi aproveitada para Vanessa Mae obter o sucesso internacional com a sua "Storm".

Uns aninhos depois (244, para ser preciso), Janis Joplin encanta em Estocolmo no febril ano de 1969. Desta actuação, importa referir como a rispidez da voz da americana soa tão melodiosa junto à banda que a acompanha neste "Summertime". Por momentos, até esquecemos a face bexigosa de Joplin e a música soa mais sensual do que cantada pela deliciosa Scarlet Johansson. Janis morreria cerca de um ano depois desta actuação.

Embora se refira ao verão de 1968, esta música floydiana foi editada em 1970 no albúm Atom Heart Mother. Uma composição do já falecido Rick Wright, em que o próprio toma as rédeas dos vocais, "Summer '68" fala-nos de um one-night-stand, tão vulgar nesta estação, que não segue o modelo de "amores de verão enterram-se na areia". Apesar de falar do encontro com algum desprezo, nota-se uma certa saudade tanto nas palavras como nos teclados do senhor Wright. Inclui também partes da colossal "Atom Heart Mother", canção que dá título ao albúm.

Por último, uma canção bem mais recente. Retirada de Merriweather Post Pavillion, "Summertime Clothes" é a canção que mais me chamou à atenção do último albúm dos Animal Collective. Com uma letra capaz de nos deixar com um sorriso nos lábios e um ritmo incrivelmente bem-disposto, os eletrónicos nova-iorquinos relatam-nos o verão moderno, coberto de insónias, humidade e de um enérgico palpitar da vida nocturna das cidades.

De lembrar ainda que este ano, Portugal contará com mais de 30 festivais de verão, oportunidade mais que suficiente para pôr a música em dia. Há para todos os gostos, de Metallica a Black Eyed Peas (no mesmo festival), de Lily Allen a Faith No More, passando por Mariza (também no mesmo festival), entre muitos outros. É de aproveitar.

A todos, um óptimo verão, com boa música, bons filmes e bons livros (yeah, right...)

terça-feira, 16 de junho de 2009

We (L) Susan Boyle


O conto de fadas de Susan Boyle começou a 11 de Abril, data em que subiu ao palco do programa Britain's Got Talent (que lançou a carreira de Paul Potts, cantor de ópera), sob o olhar trocista e zombador do mordaz público britânico e do próprio júri. No entanto, debaixo da figura saloia da desempregada escocesa de quarenta e sete anos, escondia-se uma voz um tanto poderosa, que depressa fez levantar os rabos no auditório do programa e fez soar palmas e uivos de contentamento. O júri não se poupou nos elogios; depressa o mundo assistia comovido à actuação da Susan coitadinha, através desse fenómeno que é o youtube. O video, um dos mais vistos de sempre no site, foi colocado em blogs, perfis de redes sociais, passou nas notícias, foi falado na rádio e nos jornais. Susan Boyle era uma estrela mundial.


O tempo passou e a quarentona fofinha que era agora um exemplo de coragem, esforço e dedicação para todo o globo chegou facilmente à final do concurso, final essa que...perdeu. A pobre Susan Boyle, derrotada por um grupo de dança, suscitou piedade e até lágrimas daqueles que a acompanharam ao longo da jornada pelos videos no youtube. Depois desta desilusão, Boyle foi internada, coitada, com um esgotamento emocional. Desde então, tem desafiado Amy Winehouse numa competição renhida: ora entra, ora sai de clínicas privadas, dada a sua instabilidade emocional, que já a fez abandonar a tour do programa que a lançou no mundo artístico.
Pobre, pobre Susan Boyle. Mas os fãs podem ir sorrindo, a escocesa mostra já alguns sinais de melhoras. Numa tour que fará sozinha, esta velhaca senhora irá cobrar cerca de 115 mil euros por um concerto de uns espantosos 12 minutos, o que equivale a ganhar 9500 euros por cada sessenta segundos. E são mais que merecidos, digo eu. A pobre mulher tem toda a legitimidade para cobrar todo este dinheiro, dadas as recentes transferências de valores astronómicos no mundo do futebol. Afina, os golos de Kaká e Ronaldo não têm metade da audiência das actuações desta nova estrela da música.
E apesar de Susan Boyle gozar com a situação económica mundial e com as potencialidades do seu talento (que me parecem ser um bocadinho sobrevalorizadas) e de ser vista a insultar jornalistas e polícias nas ruas de Londres, meio mundo continua a ir ao youtube e procurar pelo seu nome, para afogar as mágoas, ressuscitar a esperança e alimentar as ilusões deste mundo de aparências.

Já agora, vale a pena pensar nisto.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

[Exposição] Titanic


Oito anos passaram desde que se inaugurou o novo século e já muitos consideram que o atentado às torres gémeas em Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001 é o desastre do século XXI. Ora, se deus quiser, mais 92 anos hão de vir e não serão de certo pacíficos. No entanto, 97 anos depois, acho que posso afirmar solenemente que o maior desastre do século XX foi o terrível naufrágio do navio Titanic, em que morreram cerca de 1500 pessoas.

O século XX não prima por uma bonança para Humanidade. Duas Guerras Mundiais, outras tantas regionais, desastres nucleares, aéreos e náuticos, genocídios, bombas atómicas...se o Homem conseguiu resisitir a isto, provavelmente conseguirá resistir a tudo o que vier doravante. E embora muitos dos eventos ocorridos no século passado tenham superado o naufrágio do Titanic em número de vítimas, crueldade, e repercussões futuras, penso que nenhum consegue reduzir o valor sentimental que este desastre detém, valor esse tão bem preservado na exposição dedicada ao navio que nem deus conseguia afundar, no primeiro piso da estação do Rossio, em Lisboa.

Repleto de objectos de valor incalculável, o espaço ocupado pela exposição envolve-nos no ambiente que os passageiros sentiram na sua viagem: a entrega de uma réplica do bilhete, a representação fiel das instalações, as histórias de quem embarcou no fatídico paquete e o seu desfecho. Todos estes pormenores, que talvez não valham tanto como o bilhete nos obriga a pagar, inundam-nos o sangue com uma tristeza profunda e sincera e não nos deixam sair da estação com um sorriso nos lábios.

E mais uma conclusão tirada: assim se vê como é sobrevalorizado o filme Titanic, de 1997; haveriam mais de duas mil histórias para contar, provavelmente muito mais trágicas e susceptíveis de fazer trabalhar as glândulas lacrimais de todo o público, e não só de adolescentes femininas. Mas não, duas horas de um filme de três rodam em volta de um casal altamente improvável, produndamente irritante e repugnantemente meloso (tudo na minha opinião), que não transmite nem o cariz catastrófico nem os sintomas de uma claustrofobia cardíaca que esta história pode oferecer.

É uma exposição a ver, não como uma prioridade, mas para ir um pouco mais fundo na história deste navio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

[Música] I'm feeling goooooooooood!


Está confirmado: os Muse vão estar em Portugal no dia 29 de Novembro para um concerto no Pavilhão Atlântico! A banda britânica, que passou pelo palco do Rock In Rio no ano passado, irá apresentar o seu novo album The Resistence, a sair em Setembro deste ano. Tenho fortes intenções de ir, embora o factor monetário pese bastante na decisão...com dois festivais de verão programados e intenções de ter uma mota, torna-se complicado. Mas apesar disso, e ainda que a presença de pitas histéricas a bater palmas ao ritmo de Starlight (a única música que conhecem da banda) esteja quase assegurada, o preço dos bilhetes, que serão postos à venda no dia 9 através da Ticketline, deverá valer a pena, a julgar pelos espetáculos dados por todo mundo, em especial no mítico estádio de Wembley em 2007.

Há mais que razões para o dizer: I'm feeeeeeeling gooooooooood!


domingo, 17 de maio de 2009

[Cinema] Anjos e Demónios


Um grande filme no difícil mundo das adaptações literárias.

Ficha técnica
Título original: Angels and Demons
Ano: 2009
Realização: Ron Howard
Argumento: David Koepp e Akiva Goldsman (guião) e Dan Brown (romance)
Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor e Eyelet Zurer
Duração: 132 minutos
Thriller

Que aterradora descoberta terá feito o Vaticano de modo a ter de pedir ajuda a Robert Langdon (Tom Hanks), o homem que descodificou o código mais controverso da História? Quando este descobre indícios do ressurgimento de uma antiga irmandade secreta conhecida como os Illuminati (a mais poderosa organização secreta na História) ele percebe que o maior inimigo desta organização - a Igreja Católica - pode estar em grande perigo. Langdon viaja para Roma, onde forma uma equipa com Vittoria Vetra (Ayelet Zurer), uma bela e enigmática cientista italiana, e os dois embarcam numa perigos aventura por criptas, catacumbas e catedrais desertas... eles são a única esperança do Vaticano. (em cinema.ptgate.pt)

O livro com o mesmo nome, "Anjos e Demónios", consta na lista dos meu favoritos e apesar de repousar numa estante há já alguns anos, lembro-me perfeitamente da estória, das personagens, dos cenários, dos acontecimentos. É pena, se não me lembrasse de tudo, este filme seria quase que uma obra-prima.
Após o desastre da adaptação para o grande ecran de "O Codigo DaVinci", Ron Howard insisitiu em trazer para os cinemas as palavras de Dan Brown. Desta vez, pode dizer-se que foi bem sucedido. Tom Hanks, que está marcado com o perigoso estigma de Forrest Gump, desenvolve um papel mediano, entre um elenco que não mostra nada de extraordinário, apesar dos esforços de Ewan McGregor. Então, se não é o elenco, o que é que faz Anjos e Demónios um grande thriller?
A grandeza deste filme reside não só na realização ofegante de Ron Howard, por entre as velhas ruas de Roma e os cenários digitais do Vaticano (as filmagens neste país foram proibidas pela Igreja) como também no argumento frenético, que embora não se alongue demasiado em explicações supérfluas, faz desenrolar a estória mais detalhadamente que na última adaptação dos livros de Robert Langdon. Ao cortar personagens e ao inovar pontualmente a estória escrita por Dan Brown, este filme não se limita então a copiar o livro, bem pelo contrário. Apesar de partes importantes não terem sido filmadas (embora cenas mais fortes tenham sido abundantes), este filme só irá desagradar ao fã mais acérrimo das páginas do romance.

Não há prémios para este filme nem ovações de pé nos créditos finas. No entanto, será um filme que irá agradar a muita gente, quando passar num domingo à tarde numa qualquer estação de TV.

Classificação: 7/10
Nota: a classificação pode mudar drasticamente para alguém que não tenha lido o livro.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

[Música] Time

Neste páscoa houve alguém que teve a gigantesca gentileza de me oferecer o bilhete para o Super Bock Super Rock em Lisboa, no dia 18 de Julho. Embora amanhã se venha a confirmar o cartaz completo, o que me faz querer lá estar já há muito está confirmado: os The Killers actuam nesse dia no Estádio do Restelo. Embora tenham caído nas graças de meio mundo graças aos singles Human e Spaceman, o que é certo é que o mais recente album Day&Age desiludiu muito, sobretudo para quem gosta de músicas como Read My Mind, Somebody Told Me e When You Were Young. Mas consigo passar bem com os singles deste mais recente registo se eles tocarem isto:



É verdade, os The Killers costumam tocar uma breve cover de uma das minhas músicas favoritas. Basta começar a ouvir o despertar dos relógios e é ver-me em delírio pelo relvado do Restelo!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

[Espetáculo] Tomás Kubínek

No seu site oficial, o artista define-se como "lunático certificado e mestre do impossível". A frase assenta-lhe como uma luva.

Ficha técnica:
Artista: Tomás Kubínek
Duração: cerca de 75 minutos
Humor

Tomás Kubínek é um humorista/mímico/acrobata/mágico/músico nascido em Praga em 1965. Aquando da invasão soviética da Checoslováquia em '68, a sua família foi obrigada a fugir e foi graças a isso que o pequeno Tomás teve os primeiros contactos com a arte circense. Emigrando para os Canadá, começou a carreira ainda como uma criança e desde então nunca mais parou.

O espetáculo de Kubínek começa num silencio misterioso e desconhecido, que depressa se deixa invadir de alguns risos abafados mal o artista começa a fazer as primeiras graças com as mãos que desaparecem dentro das mangas do roupão. Depois de tirar da sua boca meia dúzia de ovos, o checo inicia a conversa com o público, uma das mais-valias do espetáculo. Com o seu inglês com algum sotaque, vai soltando algumas palavras num português hilariante enquanto vai conjugando uma história sua absolutamente inacreditável com alguns pequenos números de magia e mímica. A partir daqui, é sempre a melhorar: numa acrobacia incrível, bebe um copo de vinho português (cuja rótulo da garrafa ele insiste em ler até ao fim) enquanto assobia e toca cavaquinho; mexe-se numa absurda ligeireza com a sua Máquina de Pés de Andamento Contínuo (na foto); voa pelo palco, toca música num serrote, transforma-se em galinha. Tudo isto sem esquecer o público, que ocupando menos de metade do Grande Auditório do CAE, era convidado a participar no espetáculo, ora emprestando carteiras para de lá surgirem talheres, ora levando o artista às costas para o palco, e ainda ajudando na pronúncia de algumas palavras em português e, como é claro, rindo e aplaudindo a sua arte e o seu humor deliciosos.

O que torna este espetáculo extraordinário não é o que Tomás Kubínek faz, mas a maneira como o faz, envolvendo todos numa atmosfera intimista e jubilosa. Não teve muitos aplausos de pé, mas recebeu rosas ao sair do palco(trazidas por si próprio, confidenciou). Ainda assim, foi uma noite para recordar.

Classificação: 7/10